O ex-deputado federal e candidato à Câmara dos Deputados pelo Progressistas (PP), Nilson Leitão colocou as emendas parlamentares no centro do seu discurso de campanha. Em sabatina na Jovem Pan Sinop na manhã desta sexta-feira (4), ele afirmou que Mato Grosso recebe cerca de R$ 1,3 bilhão por ano em emendas, comparou a distribuição atual dos recursos a “dinheiro jogado de avião com o ventilador ligado” e anunciou que pretende apresentar, assim que tomar posse, um projeto de lei para criar uma classificação de hierarquia na aplicação do dinheiro por região.
“Entra R$ 1 bilhão e 300 milhões de emenda parlamentar em Mato Grosso. Ninguém enxerga esse dinheiro!”, afirmou o candidato.
Para Leitão, o modelo atual que destina R$ 50 milhões por ano a cada deputado federal e senador, transformou parlamentares em uma espécie de poder executivo paralelo.
“A história de dar a cada deputado federal, que são 513, e aos 81 senadores, R$ 50 milhões de emenda tem a parte boa, porque o dinheiro pode chegar. Só que ele está sendo jogado de avião com o ventilador ligado. O problema é esse: ninguém enxerga esse dinheiro”, disse.
Nilson Leitão foi além na crítica e afirmou que há investigações em curso sobre a comercialização de emendas.
“Deve ter pelo menos umas 15 ou 20 ações abertas na Justiça investigando venda de emendas e comercialização de emendas parlamentares no Brasil. Em Mato Grosso já tem, e tem também no Congresso Nacional. Já foi presa gente com isso, já foi flagrada gente com isso”, declarou.
Na avaliação dele, parte dos políticos segue “vendendo as próprias emendas”. “Tem muito candidato que continua vendendo suas emendas, pegando o cashback, pegando 20%, 30% das emendas que coloca nos municípios”, afirmou.
Leitão também criticou o efeito disso sobre a política municipal.
“O prefeito diz: ‘eu preciso apoiar o deputado tal porque ele trouxe o dinheiro’. Está sendo uma compra pública, com dinheiro oficial, do apoio público. É uma falta de ética, uma vergonha.”
Diante do quadro, o candidato disse que pretende apresentar um projeto de lei colocando prioridades e classificação de hierarquia para aplicação do dinheiro por região. Pela proposta, os governos estaduais, por meio de suas estruturas regional e microrregional, e com participação de consórcios, associações e entidades de classe, definiriam as obras prioritárias de cada região.
“A prioridade aqui do Nortão pode ser uma, do Araguaia pode ser outra, da região Sul pode ser outra, mas precisa atender as prioridades escolhidas pela região, pelas autoridades locais, públicas e privadas”, explicou.
Ao falar sobre o que deve vir primeiro na aplicação dos recursos, Nilson Leitão defendeu que o dinheiro vá para obras estruturantes e serviços essenciais. Na região de Sinop, ele citou a necessidade de pavimentação das estradas vicinais e do avanço da energia trifásica no campo para garantir a instalação de indústrias e a geração de emprego.
Na área de segurança pública, Nilson Leitão defendeu que as emendas financiem equipamentos como câmeras, drones e helicópteros, e criticou o uso dos recursos em apadrinhamentos políticos, citando casos de vereadores que levam “ônibus” ou patrocínios de eventos como a Queima do Alho.
“Dinheiro sem regra é dinheiro mal usado”, resumiu. “O deputado que não fiscaliza não serve para ser deputado. Para que ele quer ser deputado? Para distribuir dinheiro? Então vai ser executivo.”



























