A soja, o milho e a bovinocultura devem responder juntos por R$ 740,9 bilhões, o equivalente a 53% do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) estimado para 2026. Atualizada em julho, a projeção da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) aponta faturamento de R$ 1,39 trilhão dentro das propriedades rurais.
O valor não representa o faturamento obtido apenas em julho. Trata-se de uma projeção para todo o ano, recalculada mensalmente a partir das estimativas de produção e dos preços recebidos pelos produtores. Os números ainda são preliminares e, neste levantamento, consideram as informações disponíveis até maio.
As lavouras respondem por R$ 893,3 bilhões, ou 63,9% do total. A soja permanece como a atividade de maior peso, com VBP estimado em R$ 336 bilhões, valor correspondente a aproximadamente um quarto de toda a produção agropecuária brasileira.
O milho aparece na sequência entre as lavouras, com R$ 158,4 bilhões. O resultado reflete principalmente o tamanho da produção nacional, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 143 milhões de toneladas na safra 2025/26, considerando as três safras do cereal.
Cana-de-açúcar e café completam o grupo das quatro maiores culturas em geração de valor. A cana apresenta VBP projetado em R$ 108,7 bilhões, enquanto o café alcança R$ 103,4 bilhões. Juntas, soja, milho, cana e café somam R$ 706,5 bilhões, quase 80% do valor estimado para todas as lavouras.
Na pecuária, o VBP foi calculado em R$ 504,8 bilhões, correspondentes a 36,1% do total nacional. A bovinocultura lidera o segmento, com R$ 246,5 bilhões, ou 17,6% de toda a produção agropecuária. A carne de frango ocupa a segunda posição, com R$ 106,2 bilhões.
A distribuição regional acompanha a concentração das principais cadeias produtivas. Mato Grosso lidera o ranking estadual, com R$ 216 bilhões e participação de 15,5% no VBP brasileiro. O resultado está ligado principalmente à produção de soja, milho, algodão e bovinos.
Minas Gerais aparece em segundo lugar, com R$ 166,2 bilhões, ou 11,9% do total. A diversidade da produção mineira, que reúne café, leite, pecuária de corte, grãos e cana-de-açúcar, reduz a dependência de uma única atividade.
São Paulo ocupa a terceira posição, com R$ 156,2 bilhões e participação de 11,2%. Cana-de-açúcar, citros, café, grãos, ovos e proteínas animais estão entre as cadeias que sustentam o resultado paulista. Somados, os três maiores Estados concentram R$ 538,4 bilhões, equivalentes a 38,6% do VBP nacional.
Embora dimensione a riqueza gerada dentro das propriedades, o VBP não corresponde ao lucro do produtor. O indicador considera o volume produzido e os preços recebidos, mas não desconta gastos com sementes, fertilizantes, defensivos, ração, combustível, mão de obra, arrendamento, juros ou depreciação das máquinas.
Por isso, uma produção elevada pode aumentar o VBP mesmo quando os preços estão pressionados ou as margens diminuem. Para o produtor, o resultado confirma o peso econômico do campo, mas não elimina os problemas de rentabilidade, endividamento e aumento dos custos enfrentados por diferentes cadeias em 2026.
Fonte: Pensar Agro




























