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Cláudia: Uma nova realidade é possível?

Nestes 30 anos várias gestões executivas se sucederam no comando da administração municipal. 09/05/2018 - 15:43:33

Neste ano, em 04 de julho, nosso município completa 30 anos de emancipação políticoadministrativa.

Cláudia chega a ‘idade adulta’ com um grande desafio de escolher e construir uma nova realidade e um futuro capaz de atender a expectativa de seus moradores, que para permanecer no município precisa ter suas necessidades de emprego, renda e bem-estar satisfeitos.

Futuro este que passa, necessariamente, pela geração e oferta de empregos para todos: jovens, adultos, idosos e mulheres, independente das condições e níveis sociais e do grau de instrução de cada um.

Nestes 30 anos várias gestões executivas se sucederam no comando da administração municipal. Cada prefeito definiu as prioridades para o mandato, mas nem o Executivo nem o Legislativo assumiram ainda um compromisso público e estruturante com o fomento e ageração de empregos para sustentar a população e promover o crescimento e desenvolvimento local, que é o anseio mais urg ente de cada morador, seja do campo ou da cidade.

No início, especialmente na década de 1990, tínhamos o setor madeireiro sustentando a economia local com um extraordinário parque industrial formado por dezenas de serrarias, laminadoras e beneficiamento de madeira. O parque industrial madeireiro além de milhares de empregos gerava tributos para financiar o cofre público municipal e mantinha pujante o comércio e o setor de serviços local.

No entanto, não houve a devida preocupação e dedicação por parte dos dirigentes locais, indistintamente da gestão ou do partido político, com a diversificação da atividade produtiva e econômica do município.

Nossos representantes públicos se sucederam no poder talvez com o pensamento de que a madeira não iria acabar. E assim não houve ações duradouras e efetivas na criação de políticas públicas para atrair ou mesmo fomentar localmente novas atividades produtivas mesmo com recurso público, aproveitando as vocações econômicas e potenciais do município.

E mesmo depois do anunciado declínio da atividade madeireira pela falta de matéria prima, não se viu ações políticas de vulto e demonstração de preocupação em buscar saídas para a crise que já estava instalada com centenas de demissões de trabalhadores devido ao fechamento de dezenas de indústrias madeireiras. Prova disse que a cidade ainda não tem sequer um distrito industrial onde empresas interessadas possam se instalarem com incentivo do município.

Hoje temos um histórico setor madeireiro resistindo bravamente com apenas 15 por cento do total de empresas que existiam no início dos anos 2000. Mas que, sob duras penas, se mantem ativo e ainda é o maior gerador de empregos diretos no município, seguido pelo setor de comércio e de serviços juntos.

A agricultura que surge como nova atividade econômica não responde a grande necessidade de geração de emprego que Cláudia precisa.

Diferente de muitas outras cidades Brasil a fora, onde a maior preocupação e esforços da classe política sempre foram no sentido de desenvolver e promover o crescimento econômico local, em Cláudia a economia e a política ainda caminham separadamente.

Em consequência disto, sem um rumo certo ou um norte a seguir, sem aproveitar às potencialidades e vocações econômicas locais, a economia de Cláudia fica submetida e a mercê da economia regional onde o agronegócio predomina. Na agricultura familiar, onde há um  grande potencial de geração de emprego, os produtores não sabem ao certo o que produzir e para quem vender os produtos.

Cláudia hoje passa por um delicado momento social e econômico. A cidade tem um alto índice de desemprego formal que só não é maior porque o trabalhador desempregado acaba migrando para outras regiões em busca de trabalho.

Os setores de comércio e serviços se encontram estagnados pela recessão econômica local e desmotivados em continuar com atividades.

Boa parte dos moradores estão desanimados e com baixa expectativa quanto ao futuro do município.

E a força de trabalho jovem e de muitas famílias acaba se mudando para outros locais em busca de maiores oportunidades e um futuro melhor.

O momento não é de apontar culpados ou responsáveis pelo delicado estado que se encontra o município de Cláudia. Contudo precisamos reconhecer o problema para assim buscar as soluções possíveis para este grande desafio, que a meu ver, precisa ser encarado de forma coletiva, pois é o futuro de toda a cidade que está em jogo.

Se nossa classe política abrisse um diálogo com a sociedade claudiense, representada pelas organizações civis e o setor produtivo e empresarial, certamente poderiam colher muitas sugestões e propostas para criar uma política de atração e geração de empregos e definir estratégias para fomentar novos investimentos privados no município.

Se assim fizesse, nossa classe política não ficaria com toda essa carga de responsabilidade por esta situação lamentável porque vive a cidade nos últimos 15 anos.

Vejo que o momento é deixar de lado as diferenças políticas, o orgulho e a vaidade pessoal de alguns e calçarem as ‘sandálias da humildade`.

Apesar de nossa classe política local ter o dever de ofício de assumir a responsabilidade principal de formalizar e implantar políticas públicas de geração de emprego e renda, se o executivo e legislativo continuarem assumindo sozinho (ou não assumindo) essa grande responsabilidade de mudar a realidade econômica de Cláudia, se no futuro esse quadro ainda não tiver sido revertido, eles poderão ser apontados como culpados e responsabilizados pelos claudienses por não terem feito o dever de casa.

Cláudia precisa deixar de ser um ‘barquinho’ sem rumo e à deriva que há tempo é levado pelo vento, sem um ‘porto seguro e certo’ para onde se dirigir e aportar se tratando da economia.

Tenho plena convicção que uma nova realidade é possível sim. Se nossa classe política claudiense deixar de lado as diferenças e se unir por este ideal comum – promover a atração de novas empresas e a geração de empregos que é o sonho de cada morador.

E mesmo que isso possa levar 10, 20 ou outros 30 anos, tenho certeza que alcançaremos uma nova realidade.

Fique nossa classe política ciente que na hora do voto a população, com mais consciência política, poderá rejeitar aqueles que realmente não assumiram compromisso com o futuro da cidade.

                    Daniel Gomes de Oliveira é morador de Cláudia e empresário do setor Florestal.

Fonte: Daniel Gomes de Oliveira

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