Siga-nos nas redes sociais:

Burocracia cubana emperra porto de Mariel

Obra inaugurada em janeiro de 2014 caminha a passos lentos, apesar dos incentivos fiscais 28/04/2018 - 11:10:47

ISABEL FLECK - Um imenso canteiro de obras circunda hoje o porto de Mariel, inaugurado em janeiro de 2014 em Cuba, com a presença da então presidente Dilma Rousseff.

Quatro anos depois de oficialmente criada, a Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel, a 45 km de Havana, caminha visivelmente a passos lentos e, apesar dos incentivos fiscais, não se tornou efetivamente atrativa para empresas brasileiras diante de toda a burocracia que envolve qualquer investimento estrangeiro em Cuba.

Nos governos Lula e Dilma, o Brasil financiou, por meio do BNDES, a ampliação e modernização do porto pela Odebrecht, no valor de US$ 682 milhões (R$ 2,3 bilhões no câmbio atual). Na época, o governo defendeu que o investimento abriria oportunidades para empresas brasileiras.

No entanto, até agora só duas empresas brasileiras - e que já tinham operação na ilha há mais de dez anos- apostaram e tiveram projetos aprovados na zona de desenvolvimento: a Souza Cruz, presente no país desde 1995, e a empresa de logística Fidas Brasil -braço da Fidas Enterprises, com sede no Panamá e que está em Cuba há 17 anos.

No fim de 2017, 75 empresas brasileiras participaram da Feira Internacional de Havana. Algumas chegaram a prospectar o investimento em Mariel, mas descartaram diante das atuais condições impostas pelo governo cubano.

Mariel já é mais atrativa que o restante do país, com isenção de impostos nos primeiros dez anos, por exemplo.

No entanto, para quem não está acostumado com o modelo cubano, o ainda reticente tratamento que o regime dá aos investimentos estrangeiros é um obstáculo.

Secretário-geral da ONU pede que acordo das Coreias comece rápido

A burocracia e as incertezas financeira e monetária afastam interessados, segundo um empresário ouvido pela reportagem que pediu para não ser identificado. Outro entrave é a contratação obrigatoriamente indireta, por meio do Estado cubano, de mão de obra local.

É preciso ainda passar por um processo de escolha rigoroso pelo regime, que já começa na emissão do visto de prospecção de negócios, ainda no Brasil. Depois, há reuniões com os conglomerados estatais responsáveis pelo setor específico em Cuba -grande parte deles operada por militares.

Só então pode-se entrar na lista de fornecedores do governo, que escolherá, no momento em que surgir a demanda por determinado negócio, qual empresa poderá avançar. Não há nada parecido com um processo de licitação.

Na escolha pelo governo cubano, entram critérios subjetivos como afinidade política com o país de origem da empresa, mas também a preferência dada a credores do regime.

Segundo dados do governo, até agora 34 projetos de 15 países, além de Cuba, foram aprovados na zona de Mariel -com maior presença da Espanha, que tem oito. O investimento total seria de US$ 1,2 bilhão.

A Souza Cruz é uma das que têm investimento com capital misto, por meio da joint venture Brascuba, com a cubana Tabacuba. A Brascuba construirá na zona de Mariel uma fábrica, na qual pretende dobrar, em dez anos, a produção da atual unidade em Havana, de 4,5 bilhões de cigarros por ano -sendo 4 bilhões para o mercado cubano.

O investimento é de US$ 116 milhões, sendo metade da Souza Cruz. A construção deve começar em maio e a expectativa é que a fábrica fique pronta no ano que vem.

O projeto da Fidas Brasil, que é 100% capital estrangeiro, está menos avançado, porque as mudanças feitas pelo governo de Donald Trump em 2017 atrapalharam as negociações para o financiamento.

A estimativa é de um investimento de US$ 8 milhões e contratação de 60 funcionários locais.

Algumas empresas, no entanto, resolveram não investir, como a de fios cirúrgicos Bioline, presente no mercado cubano há alguns anos.

Seus representantes dizem não ter interesse em investir na zona do porto de Mariel porque, além de seu produto não se enquadrar no modal marítimo, há outros obstáculos na ilha.

"Não é possível realização da produção em solo cubano pela necessidade de supervisão e mão de obra qualificada", disse a empresa, em nota.

A Odebrecht, que em 2014 estudava instalar uma fábrica de transformação de plástico na zona de desenvolvimento, informou à reportagem "não possuir nenhum projeto em Cuba atualmente".

Fonte: NOTICIAS AO MINUTO

Veja tambem

23/05/2019 | MUNDO SETORES

Trabalhadores da Petrobras fazem greve geral em Montevidéu

Os trabalhadores da MontevideoGas decidiram paralisarem as atividades

11/05/2019 | GRUPO PARLAMENTAR, COMÉRCIO EXTERIOR, BRASIL

Cazaquistão quer intensificar relações com o Brasil, diz embaixador

Os dois países recriaram um grupo parlamentar

09/05/2019 | MUNDO CRISE

Serviço secreto da Venezuela prende vice-presidente do Parlamento

O anúncio foi feito pelo próprio Edgar Zambrano - número 2 de Juan Guaidó na Assembleia Naciona

27/04/2019 | FORÇA NACIONAL MOÇAMBIQUE

Brasileiros participam de buscas após novo ciclone atingir Moçambique

Catorze bombeiros da Força Nacional embarcaram para a cidade de Pemba

16/04/2019 | NOTRE-DAME, CATEDRAL, INCÊNDIO

França pede doações e avalia danos na Notre-Dame

Primeiras ofertas foram anunciadas nesta terça-feira(16)

30/03/2019 | INTERNACIONAL

Missão brasileira viaja a Moçambique para ajudar vítimas de ciclone

O apoio humanitário atende a pedido feito pelo presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, ao presidente Jair Bolsonaro

24/03/2019 | MUNDO CARACAS

Com tropas, aviões militares russos pousam na Venezuela

As aeronaves estariam levando uma autoridade de defesa russa e quase cem soldados, segundo informações das agências de notícias

03/03/2019 | MUNDO VATICANO

Papa diz que políticos sem sabedoria prejudicam a sociedade

Francisco ainda pediu para os fiés não fazerem fofocas

03/03/2019 | CRISE VENEZUELANA RÚSSIA EUA

Rússia propõe aos Estados Unidos dialogar sobre a crise venezuelana

Rússia propõe aos Estados Unidos dialogar sobre a crise venezuelana

24/02/2019 | MUNDO APÓS CONFRONTOS

Divisa entre Brasil e Venezuela está mais tranquila neste domingo

Fluxo de imigrantes voltou à divisa, apesar do fechamento da fronteira

10/02/2019 | MUNDO

Coronel do Exército venezuelano rompe com Maduro e pede ajuda humanitária

Ajuda humanitária cruzará fronteira de Venezuela com Brasil, promete povo indígena Pemon

09/02/2019 | MUNDO VENEZUELA

Governo venezuelano reforça presença militar na fronteira com o Brasil

Objetivo de Maduro é evitar entrada de ajuda humanitária enviada pelos EUA