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Sinop: Alimentar animais silvestres pode provocar desequilíbrios à fauna de Parque Florestal

Como alerta a bióloga Cristiane Cesco Diel, para que os visitantes do Parque não da alimentos para os animais silvestres, 23/07/2018 - 17:25:14

Quem frequenta o Parque Florestal de Sinop, um dos cartões postais do município, costuma encantar-se com a exuberância e riqueza naturais. Com fauna e flora diversas, o espaço tornou-se um dos pontos preferidos dos amantes da natureza que, em um único local, têm a oportunidade de encontrar exemplares de macacos, araras, tracajás, peixes, jacaré, entre outros bichos, nos mais de 43 hectares de área abertos à visitação.
 
Classificado como uma Unidade de Conservação na categoria “Parque Natural Municipal” (Lei  nº 2.067/2014), o local conta com algumas normas e regras de conduta por parte dos visitantes para assegurar a manutenção da biodiversidade. Como alerta a bióloga Cristiane Cesco Diel, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), contemplar a natureza é permitido, no entanto, alimentar os animais silvestres que, tradicionalmente, são vistos na unidade de conservação, não. A restrição engloba desde gêneros industrializados (salgadinhos e demais) até frutas.
 
Conforme explica Diel, os animais silvestres, diferentemente dos seres humanos, possuem hábitos alimentares distintos e que, quando alterados, implicam em maior suscetibilidade às doenças, mudanças metabólicas, impacto sobre a cadeia reprodutiva, entre outros riscos. "Cada animal tem seu instinto, seu habitat. Como eles já vivem, aqui, eles sempre tiveram sua alimentação natural. Porém, a própria população, quando vem ao parque, costuma trazer alimento e isso não faz bem à saúde dos animais. Como eles habitam este espaço eles têm que buscar o próprio alimento. Por isso a gente orienta a população a não ficar trazendo alimento aqui dentro do parque. Há uma equipe qualificada que dá um complemento para esses animais", explica a bióloga.
 
O complemento citado refere-se a frutas diversas doadas pela rede supermercadista Machado, parceria da secretaria, e que são disponibilizadas pela SDS três vezes na semana, em dois horários, aos animais. Elas chegam ao parque às segundas, quartas e sextas-feiras e são colocadas pela equipe em um cocho onde os macacos possam encontrá-las. Já nas áreas onde as araras costumam transitar a alimentação é complementada com oleaginosas. A ação é suficiente, como explica Cristiane Diel, para alimentar de forma adequada os animais de base onívora cuja cadeia alimentar é constituída por insetos, invertebrados, pequenos brotos, sementes, entre outros itens de fonte vegetal e animal e que se encontram naturalmente naquele ambiente.
 
De forma a não acarretar prejuízos à fauna e flora, a secretaria reforçou os comunicados de proibição de acesso ao parque pelos frequentadores com alimentos tanto industrializados ou mesmo naturais, de forma a assegurar o cumprimento da legislação municipal que, desde 2009, proíbe a entrega destes gêneros aos bichos do parque. "É importante ressaltar que estes são animais silvestres e já têm uma alimentação natural dentro do Parque. Os animais aqui não estão passando fome. Eles têm uma riqueza de alimentação muito grande e que não há necessidade de a população se preocupar quanto à isso", enfatiza a secretária municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luciane Bertinatto.
 
Entendimento partilhado pelo professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), doutor em Ecologia, Gustavo Canale. O especialista cita o exemplo dos macacos pregos. "Como ele é um mesopredador ele tem muita facilidade de conseguir vários tipos de alimentos diferentes na floresta. Então, se alimenta do topo até o chão e consegue encontrar alimento. São animais muito inteligentes e móveis na floresta. Têm uma dieta extremamente rica e saudável. O ideal é que as pessoas não forneçam alimentos para que a gente consiga ter estes animais mantendo a sua dieta o mais próximo do natural", pontuou.
 
A bióloga da SDS, Cristiane Diel, faz um alerta. "É preciso tirar esse mito que a população fala que os animais estão passando fome e não estão. A gente pode ver que se têm vários macacos com filhotes. A população precisa vir ao parque, que é um local maravilhoso, contemple, tire fotos, mas não alimente os animais, porque alimentos industrializados fazem muito mal à saúde dos animais", expressou.
 
Diretor da Regional Sinop da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Sandro Depiné lembra que a proibição de alimentar animais no Parque Florestal de Sinop não se refere à uma medida particular e exclusiva do poder público local. Ele lembra que ocorre em outras áreas do Estado consideradas unidades de conservação e que também têm regras a serem cumpridas. "Unidades de Conservação exigem regras, responsabilidades do município sobre elas. É um procedimento correto e a Sema instrui para que as pessoas não alimentem aos primatas do Parque Florestal. Esta situação [da proibição] não é só comum ao Parque Florestal, mas de todos os parques", pontuou o gestor.
 
Animais livres
 
Os especialistas também reforçam que todos os animais que se encontram no parque são livres e, em função do deslocamento entre as outras áreas de reservas, pode ocorrer de alguns exemplares não serem vistos pela população durante os horários de visita. "O parque florestal não é zoológico. Todos os animais que aqui vivem são livres e têm sua autonomia, independência. Nós temos um pequeno recinto que, às vezes, acontece de aparecer uma arara, um filhote que ainda não voa e fica ali em observação. Mas, jamais, a gente deixa animais presos aqui porque o foco não é esse. Às vezes a pessoa chega aqui e fala: ‘ah, eu queria tanto ver uma arara’, mas como temos sete reservas aqui no município elas migram todos os dias durante o dia, depois voltam para dormir aqui [no parque] e fazer o seu descanso”, cita Cristiane Diel. 

Fonte: Ass: com Redação

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