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Rastreabilidade da madeira é decisiva para reduzir desmatamento

O manejo adequado da floresta tropical pode estimular uma atividade com benefícios sociais e econômicos e promover a mitigação das mudanças climáticas 12/12/2015 - 09:19:12

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura propõe a ampliação da área de manejo do Brasil para 30 milhões de hectares até 2030 e aponta que a viabilização desse caminho passa pela supressão da ilegalidade na cadeia produtiva da madeira nativa.

Uma economia da floresta tropical robusta é o caminho relevante e factível para desencorajar o desmatamento ilegal e, ao mesmo tempo, aprimorar o setor madeireiro, promover benefícios sociais e mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Em grande escala, o manejo adequado de baixo impacto das florestas nativas brasileiras pode fortalecer um mercado de madeira tropical totalmente legal, abrindo alternativas e oportunidades para proprietários de terras e comunidades que vivem próximas (ou dentro) de áreas de floresta.

Acrescente-se a esse cenário a manutenção de estoques de carbono e conclui-se que essa conduta se alinha plenamente às contribuições brasileiras para o enfrentamento das mudanças do clima (INDC) e à ampliação de uma atividade econômica que tem o meio ambiente e o homem como prioridades.

Por isso, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura propõe que a área de manejo florestal sustentável no Brasil seja ampliada em dez vezes em relação à situação atual, chegando a 30 milhões de hectares até 2030. Tal volume supriria toda a demanda nacional por madeira tropical. “Para se ter uma ideia, essa área equivale a cerca de 7% do maciço florestal amazônico. Ou seja, promover o manejo de uma pequena fração da floresta causaria baixo impacto e ainda contribuiria com a preservação dos demais 93%”, afirma Roberto Waack, presidente do conselho da empresa Amata.

O principal desafio para converter essa proposta em realidade é suprimir a ilegalidade da cadeia produtiva. Estima-se que 80% do volume comercializado no país — como ipê, maçaranduba e cumaru, entre cerca de 30 espécies com potencial comercial — tem algum grau ou componente de ilegalidade. “Além de ser altamente predatória em termos ambientais, a ilegalidade fomenta um cenário de comercialização injusto, pois quem busca a atividade econômica responsável tem dificuldade de ganhar espaço no mercado”, afirma Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores) e presidente do International Council of Forest and Paper Associations (ICFPA).

Transparência e monitoramento

Para mudar esse quadro, a Coalizão Brasil propõe uma sequência de ações, que começa com mais transparência na aprovação dos planos de manejo. “As licenças de exploração de árvores nativas têm de ser transparentes à sociedade, com seu georeferenciamento e informações sobre espécies e volumes divulgados amplamente. Assim será possível acompanhar a legalidade das áreas de manejo florestal e monitorar a qualidade da exploração para a retirada de madeira”, pondera Marco Lentini, coordenador do programa Amazônia do WWF Brasil. “E não é algo difícil de se fazer. Já existem ferramentas úteis de monitoramento por satélite, de modo a acompanhar o andamento do plano de manejo, além de sistemas capazes de assegurar que a produção seja rastreada de modo efetivo.”

Rastrear a madeira será, portanto, crucial. “O fortalecimento da economia de floresta tropical depende da rastreabilidade. Trata-se de um complemento para as medidas de controle e monitoramento do desmatamento já existentes”, explica Maurício Voivodic, secretário executivo do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola). “O transporte também necessita de rastreamento para se checar pontos de partida e de chegada. No mesmo sentido, é preciso acompanhar as atividades nas serrarias, onde pode haver a inserção de madeira sem origem comprovada em meio às remessas legais.”

Na outra ponta, o consumidor deve exigir que se comprove a origem dos produtos. A Coalizão Brasil propõe que a rastreabilidade da madeira entre como condição nas compras públicas, por exemplo, de programas de habitação e de infraestrutura. “Se o governo assumir essa liderança, o setor privado deverá seguir a mesma conduta”, comenta Pedro Moura Costa, presidente executivo do Instituto BVRio.

Inclusão por meio do conhecimento

Além de rastreabilidade, será preciso investir em tecnologia, pesquisa e desenvolvimento de espécies nativas, bem como em qualificação de mão de obra. “A capacitação permitirá que a população local se beneficie dos recursos de forma sustentável, em vez de predatória e de curto prazo, como vem ocorrendo”, assinala Paulo Barreto, pesquisador sênior do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia).

O manejo florestal adequado, portanto, contribui para uma das metas a que o Brasil se propôs no acordo mundial para o clima: eliminar o desmatamento ilegal até 2030. “Ao olhar a floresta com uma visão econômica e social, além da ambiental, cria-se o entendimento de que ela tem valor e de que não é necessário substituí-la por outras atividades”, afirma José Luciano Penido, presidente do conselho da Fibria Celulose. E há outros ganhos: os chamados serviços ecossistêmicos que as florestas oferecem, como a conservação do solo e a segurança hídrica. “Podemos cumprir a meta do desmatamento bem antes, sem esperar 15 anos para isso.”

Visto que boa parte da madeira nativa comercializada no Brasil tem algum componente de ilegalidade, a Coalizão entende que é necessário incentivar a transição gradual dos envolvidos no setor — madeireiros, transportadoras e serrarias — para uma situação de legalidade total.

Fonte: Midia News

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